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As grandes Lutas

 

“... invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu me glorificarás.”
Salmos 50:15

Você está passando por uma grande luta? Seu coração está triste ou temeroso com o que há de acontecer nos dias que estão por vir? Busque a Deus !

Isso não deixa de ser algo normal. Não transforme, porém, tais sentimentos no ato de alguém que mendiga um farelo de ‘pão', de consolo, de misericórdia ou compaixão.

Se você tem oferecido a Deus o respeito e a adoração, dos quais Ele é digno, poderá buscá-Lo com a consciência de que suas promessas lhe pertencem.

Essas promessas garantem que no dia da necessidade você poderá se dirigir a Ele com confiança, e receber o livramento que deseja.

Uma vez atendido o desejo do seu coração, glorifique a Deus pelo que Ele fez. Essa última parte compete a você, e ninguém poderá representá-lo no louvor.

Leia hoje: Salmos 50:1-23; Hebreus 4:16; Filipenses 4:6

 



Escrito por Cadidja às 02h09
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Nova semana....

 Por uma questão de educar a esse povo a boas leituras, começo a semana de bons escritores, sejam eles consagrados ou não... Curtam um pouco de uma excelente escritora, LYa Luft...

O CASAL PERFEITO

Por Lia Luft

A solidão dos homens tem a medida da solidão de suas mulheres. Isso eu disse e escrevi e repito em dezenas de palestras por este país afora. Aí me pedem para escrever sobre o casal perfeito: bom para quem gosta de desafios. O casal perfeito seria o que sabe aceitar a solidão inevitável do ser humano, sem se sentir isolado do parceiro ou sem se isolar dele? O casal perfeito seria o que entende, aceita, mas não se conforma, como o desgaste de qualquer convívio e qualquer união? Talvez se possa começar por aí: não ir para o casamento, o namoro, o amante (não importa) imaginando que agora serão solucionado ou suavizado todos os problemas a chatice da casa dos pais, as amigas ou amigos casando e tendo filhos, a mesmice do emprego, chegar sozinha às festas e sexo difícil e sem afeto. Não cair nos braços do outro como quem cai na armadilha do "enfim nunca mais só!", porque aí é que a coisa começa a ferver. Conviver é enfrentar o pior dos inimigos, o insidioso, o silencioso, o sempre à espreita, o incansável: o tédio, o desencanto, esse inimigo de dois rostos. Passada a primeira fase de paixão ...a gente começa a amar de outro jeito. Ou a amar melhor; ou, aí é que a gente começa a amar. A querer bem; a apreciar; a respeitar; a valorizar; a mimar; a sentir falta; a conceder espaço; a querer que o outro cresça e não fique grudado na gente. O cotidiano baixa sobre qualquer relação e qualquer vida, com a poeira do desencanto e do cansaço, do tédio. A conta a pagar; a empregada que não veio, o filho doente, a filha complicada, a mãe com Alzheimer, o pai deprimido ou simplesmente o emprego sem graça e o patrão de mau humor. E a gente explode e quer matar e morrer, quando cai aquela última gota pode ser uma trivialíssima gota e nos damos conta: nada mais é como era no começo. Nada foi como eu esperava. Não sei se quero continuar assim, mas também não sei o que fazer. Como a gente não desiste fácil, porque afinal somos guerreiros ou nem estaríamos mais aqui, e também porque há os filhos, os compromissos, a casa, a grana e até ainda o afeto, é preciso inventar um jeito de recomeçar; reconstruir. Na verdade devia-se reconstruir todos os dias. Usar da criatividade numa relação. O problema é que, quando se fala em criatividade numa relação, a maioria pensa logo em inovações no sexo, mas transar é o resultado, não o meio. Um amigo disse no aniversário de sua mulher uma das coisas mais belas que ouvi: "Todos os dias de nosso casamento (de uns 40 anos), eu te escolhi de novo como minha mulher". Mas primeiro teríamos de nos escolher a nós mesmos diariamente. Ao menos de vez em quando sentar na cama ao acordar e pensar: como anda a minha vida? Quero continuar vivendo assim? Se não quero, o que posso fazer para melhorar? Quase sempre há coisas a melhorar, e quase sempre podem ser melhoradas. Ainda que seja algo bem simples; ainda que seja mais complicado, como realizar o velho sonho de estudar, de abrir uma loja, de fazer uma viagem, de mudar de profissão. Nós nos permitimos muito pouco em matéria de felicidade, alegria, realização e, sobretudo abertura com o outro. Velhos casais solitários ou jovens casais solitários dentro de casa são terrivelmente tristes e terrivelmente comuns. É difícil? É difícil. É duro? É duro. Cada dia, levantar e escovar os dentes já são um ato heróico, dizia Hélio Pellegrino.
Viver é um heroísmo, viver bem um amor mais ainda. O casal perfeito talvez seja aquele que não desiste de correr atrás do sonho de que, apesar dos pesares, a gente, a cada dia, se escolheria novamente!!!



Escrito por Jana às 02h11
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Lixo

Esse é de Luis Fernando Verissmo, que para mim é o melhor cronista do Brasil...

Lixo

    Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam
— Bom dia...
— Bom dia.
— A senhora é do 610.
— E o senhor do 612.
— É.
— Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
— Pois é...
— Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
— O meu quê?
— O seu lixo.
— Ah...
— Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
— Na verdade sou só eu.
— Mmmm. Notei também que o senhor usa muita comida em lata.
— É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
— Entendo.
— A senhora também...
— Me chame de você.
— Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
— É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra...
— A senhora... Você não tem família?
— Tenho, mas não aqui.
— No Espírito Santo.
— Como é que você sabe?
— Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
— É. Mamãe escreve todas as semanas.
— Ela é professora?
— Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
— Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
— O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
— Pois é...
— No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
— É.
— Más notícias?
— Meu pai. Morreu.
— Sinto muito.
— Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
— Foi por isso que você recomeçou a fumar?
— Como é que você sabe?
— De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
— É verdade. Mas consegui parar outra vez.
— Eu, graças a Deus, nunca fumei.
— Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
— Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
— Você brigou com o namorado, certo?
— Isso você também descobriu no lixo?
— Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
— E, chorei bastante. Mas já passou.
— Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
— É que eu estou com um pouco de coriza.
— Ah.
— Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
— É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
— Namorada?
— Não.
— Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
— Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
— Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
— Você já está analisando o meu lixo!
— Não posso negar que o seu lixo me interessou.
— Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
— Não! Você viu meus poemas?
— Vi e gostei muito.
— Mas são muito ruins!
— Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
— Se eu soubesse que você ia ler...
— Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
— Acho que não. Lixo é domínio público.
— Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
— Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
— Ontem, no seu lixo..
— O quê?
— Me enganei, ou eram cascas de camarão?
— Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
— Eu adoro camarão.
— Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
— Jantar juntos?
— É.
— Não quero dar trabalho.
— Trabalho nenhum.
— Vai sujar a sua cozinha.
— Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
— No seu lixo ou no meu?



Escrito por Jana às 02h03
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Incertezas

Nós seres humanos temos a incrivel e grande capacidade para o sofrimento. Sofremos por uma dor fisica, uma angustia, uma paixão, um amor, enfim, grande parte de nossa vida este sentimento está presente. Mas quero tratar especificamente sobre o sofrer por antecipação. Não são raras as pessoas que vivem amedrontadas, criando fantasmas em suas mentes, em relação ao que está por vir.

E grande parte desses temores tem origem em nossa grande capacidade de imaginar, de fantasiar ações que poderão ocorrer. E muitas das vezes essas suposiçoõs vão a nortear nossas vidas. Vamos a um caso comum; o suicida, claro que a coisa é muito mais complexa, mas o medo de como vai ser, acaba transtornando. O suicida no receio de ter que viver, ter que fazer escolhas, ter que enfrentar situações problemas prefere atencipar o fim iremediavel.

Sofrer por atencipação, quando o fato é apenas suposto, é atormentar unutilmente a vida, é querer antecipar-se a algo que pode ou não ocorrer. A vida sem sombras de dúvidas, em um sentido bem vulgo, é uma sucessão de cenas, sem objetividade definida. Tudo pode ser ou não ser. Tudo é ou não é.

Essa concepção "do nada é definido", parte bem mais do século XX, princilpalmente em função dos estudos do cientista, Werner Heisenberg, que estabeleceu a imprecisão da medição no campo cientifico com o "principio da incerteza". Segundo ele a realidade em seu sentido absoluto se sujeita ao incerto.

A ideia é, mesmo diante da incerteza tentar. O importante é viver e admitir o risco como natural, apenas fazer o risco como um instrumento para a prática da cautela. "Acautelar não é temer. A precaução é uma defesa onde o medo é covardia" E se não for como planejamos é só tentar de novo, só que de forma diferente, o ruim mesmo é ter uma conjunção condicional em nossa mente....



Escrito por Jana às 15h07
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