Minha irmã me deu esse texto e achei hiper interessante será que serve também para as cidadãs operarienses? Bom não sei se as estatisticas são verdadeira, mas que o principio da distância como empecilho é veridico não há como refutar
A TERRITORIALIZAÇÃO DO AMOR
[ou por que as meninas do Cohatrac não conseguem casar]
por João Caldas Nepomuceno
Atenção, meninas do Cohatrac: se vocês têm alguma esperança de arranjar um partido e não ficar para titias, a ciência recomenda, é melhor mudar de bairro. Um estudo divulgado semana passada na revista Atenas XXI, realizados pelos cientistas Pedro Paulo Rosemberg e Roberto Silva Flores, do Departamento de Sociologia Aplicada ao Desenvolvimento Urbano do Centro Universitário Honoré de Balzac, revelou que os homens de São Luis tem muito resistência a estabelecer relacionamentos amorosos duradouros com mulheres que residem da Cohab para trás.
A pesquisa foi feita com 400 homens, com idades que iam dos 18 aos 30 anos, entre os meses de setembro a dezembro do ano passado e trouxe a tona alguns dados inquietantes. Por exemplo: cerca de setenta por cento dos entrevistados afirmaram não ter a menor intenção de namorar mulheres que residam muito distante da casa deles. Outros vinte e cinco por cento disseram que, quando namoraram “cohatraqueanas”, o romance não passou da terceira saída. Apenas cinco por cento dos homens pesquisados revelaram que teriam interesse em namorar alguém do Cohatrac, “se realmente valesse a pena”. Os entrevistados são moradores do Vinhais, Renascença, Cohama, Centro, São Cristóvão, São Franscisco, Olho d´água, Calhau. A pesquisa, por razões óbvias, não ouviu moradores do Cohatrac.
A pesquisa com os homens foi seguida de uma outra, só com as mulheres. Para validar suas hipóteses, os cientistas entrevistaram também 400 moradoras do Cohatrac (dos mais diversos conjuntos que formam o bairro), na mesma faixa etária dos entrevistados, e descobriram que a grande maioria (85%) delas nunca tinha tido “vinculo afetivo estável” com ninguém que morasse em outro bairro. As casadas responderam que o marido era do próprio bairro ou da vizinhança.
EXPLICAÇÕES- Mas porque toda essa resistência a um envolvimento com as meninas do Cohatrac? Quem explica é o Professor Rosemberg: “É um questão meramente financeira. Todos os entrevistados afirmaram que custa muito caro namorar meninas que morem muito distante de suas casas. E dirigir às vezes dez, quinze quilômetros para ficar perto da namorada pode não ser tão compensador para esses homens”, reflete. Outro aspecto que apareceu na pesquisa diz respeito à possibilidade que os entrevistados viam de conseguir relacionamentos que lhes sejam financeiramente compensadores. “Os homens estão cada vez mais interesseiros. Querem mulheres bem-sucedidas, já resolvidas profissionalmente, que morem num espaço público de ostentação. Por isso tendem a procurar parceiras nos bairros mais requintados da cidade, constata o professor Rosemberg.
SIMULACRO- Mas tudo isso pode não passar de um grande simulacro da ciência, se levarmos em consideração exemplos como o de Cláudio e Vanusa. Os dois já namoram há cerca de sete anos. Ele, morador da estrada de São José de Ribamar, advogado, 27 anos. Ela “cohatraqueana” desde a maternidade, psicóloga, 26 anos. Apresentados aos resultados da pesquisa foram taxativos: “No meu caso, nada disso valeria como desculpa para não namorar uma menina que morasse longe da minha casa. Estou com Vanusa há quase oito anos e a distancia nunca foi problema para nós. Tenho o meu carro, e ela tem o dela. Saímos quase todas as semanas e eu ainda vou na casa dela quase todas as noites. Distancia, condição financeira, preço da gasolina não podem ser empecilhos para o amor” afirma Cláudio, categórico. “Quando a gente ama de verdade, nada disso é levado em consideração”, filosofa a apaixonada Vanusa.
O amor, de fato, não obedece a estáticas nem a outras regras matemáticas. O amor tem as suas próprias sem-razões, como já bem escreveu Drummond. Mas, em tempos de pragmatismo financeiro, as solteirinhas e solteironas do Cohatrac não perdem nada em dar uma olhadinha mais cuidadosa na pesquisa. Afinal, a maior aliada das estratégias é a informação.